Consulado da Nicarágua em São Paulo
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República da Nicarágua - História

 

Nicarágua é um país da América Central, limitado ao norte pelo Golfo de Fonseca (através do qual faz fronteira com El Salvador), Honduras, ao leste pelo Mar das Caraíbas, através do qual faz fronteira com o território colombiano de San Andrés e Providencia, ao sul com a Costa Rica e ao oeste com o Oceano Pacífico. Sua capital é Manágua.

 

 

Mapa da Nicarágua

 

A origem do nome é incerta, já que o país não conta com um registro indígena, podendo-se recorrer somente a crônicas dos primeiros espanhóis. Nessas crônicas fala-se sobre o povo náhuatl que viviam entre o grande lago (chamado de Nicarágua posteriormente) e o Oceano Pacífico; a esta terra eles davam o nome de nic–atl-nahauc que significa "aqui junto a agua", palavra que foi castelhanizada e se tornou o atual termo de Nicaragua. Outros estudiosos, entretanto, acreditam que a palavra evoluiu da expressão Nican-nahuan, que por sua vez quer dizer "aqui estão os nahuan" (outro povo que habitava a região).

Por influência dos movimentos revolucionários do México e de El Salvador, em 1811 ocorreu em León e estendeu-se a Granada uma revolta, dominada sem muita violência. Em 1821, a capitania geral da Guatemala proclamou-se independente. Granada manteve-se integrada ao novo país, mas León declarou sua independência. O império mexicano de Agustín de Iturbide anexou o território por um breve tempo e quando houve um colapso do domínio mexicano a Nicarágua passou, a partir de 1823, a fazer parte da Federação das Províncias Unidas da América Central (com a GuatemalaHonduras, El Salvador e Costa Rica). Granada, porém, insurgira-se antes da abdicação de Agustín de Iturbide (1823) e proclama a república.

Em 1826, mediante uma primeira Constituição, toda a Nicarágua integrou-se às Províncias Unidas da América Central. A luta entre liberais e conservadores tornou-se a característica mais marcante da vida política nicaragüense. Os liberais, que lutavam para criar uma nação independente, em 1838 proclamaram a república, abandonando a federação, embora o conflito civil tenha continuado. Em 12 de novembro desse ano, no governo de José Núñez, promulgou-se nova constituição que definia a Nicarágua como um estado soberano e independente.

Na intenção de abrir, entre o lago Nicarágua e o Pacífico, um canal que desse acesso ao Atlântico pelo San Juan, em 1848 os britânicos voltaram a ocupar San Juan del Norte, conhecida como costa dos Mosquitos, nome de uma tribo de índios americanos. Os Estados Unidos tinham igual interesse e, poucos anos depois, Cornelius Vanderbilt implantou na Nicarágua um sistema de barcos e veículos terrestres que permitia passar de um oceano a outro. Em 1850, os dois países comprometeram-se a respeitar a independência da área e a neutralidade do canal, se fosse construído, o que não ocorreu.

 

 

 Cornelius Wanderbilt

 

As lutas entre os liberais de León e os conservadores de Granada permitiram que, em 1855, um aventureiro norte-americano, William Walker, assumisse o controle do país e se proclamou presidente (1856-1857). Foi, porém, deposto em 1857 pelo esforço conjunto dos países limítrofes, de Vanderbilt e dos liberais, que o haviam contratado para tomar Granada. Sua expulsão contribuiu para a união do país, que estabeleceu relações de paz com a Grã-Bretanha e reconheceu o reino de Mosquito.

 

 

William Walker 

 

No século que se seguiu, a política da Nicarágua foi dominada por lutas pelo poder entre os liberais de León e os conservadores de Granada. Por esse motivo, num compromisso assinado em 1857, a capital passou a ser Manágua, aliviando os conflitos entre León e Granada. O Reino Unido devolveu a costa oriental, que se tornou reserva indígena autônoma; iniciou-se o cultivo do café; e construiu-se a ferrovia Granada-Corinto.

A Nicarágua tem tido governos constitucionais e outros em regime de exceção. Os conservadores governaram durante a segunda metade do século XIX mas em 1893 os liberais ganharam a presidência e iniciaram uma perseguição ao executivo anterior.

século XX encontrou o país sob o vigoroso controle do liberal José Santos Zelaya, que governou de forma ditatorial entre 1893 e 1909 e estendeu a autoridade nicaragüense sobre a reserva do reino unido.

A insolvência financeira da Nicarágua e a apreensão por parte dos EUA quanto a seus assuntos financeiros com a Grã-Bretanha, motivaram a intervenção dos Estados Unidos, que apoiaram a revolução que o derrubou Zelaya, em 1907, e não reconheceram seu sucessor, José Madriz. Os americanos passaram a controlar a alfândega, o banco central e as ferrovias do país. Adolfo Díaz foi eleito presidente.

 

 

Adolfo Díaz 

 

A humilhação nacional levou à revolução de 1912. Após essa revolta contra seu governo, Díaz pediu ajuda militar aos norte-americanos, que ocuparam o país. Para apoiar o novo governo, foram enviados alguns marines para o território. Seus sucessores, Emiliano Chamorro (1871-1966) e Diego Manuel Chamorro (1861-1923), também receberam apoio americano.

 

 Emiliano Chamorro

  

Em 1925 o destacamento militar retirou-se e a luta entre liberais e conservadores deu origem a uma guerra civil. Os marines foram enviados novamente para o país com o objetivo de pôr fim ao conflito, o que aconteceu em 1927.

Uma nova intervenção ocorreu em 1926, quando Adolfo Díaz, em seu segundo período presidencial (1926-1928), pediu novamente a ajuda dos fuzileiros navais americanos. Os líderes liberais José María MoncadaJuan Bautista Sacasa e César Augusto Sandino lançaram-se à guerrilha mas os primeiros recuaram ante a promessa americana de garantir eleições livres.

 

 

Augusto Cesar Sandino

 

Em 1928 e 1932, os EUA supervisionaram as eleições que elegeram dois presidentes liberais: Moncada (1928-1933) e Sacasa (1933-1936). As tropas norte-americanas abandonaram o país em 1933, depois de terem treinado a Guarda Nacional Nicaraguana, criada pelos americanos na gestão de Díaz com o objetivo de manter a ordem interna. Com a retirada dos fuzileiros, Sandino depôs as armas e reconciliou-se com Sacasa. No ano seguinte, o comandante da Guarda Nacional, o general Anastasio (Tacho) Somoza García, sobrinho de Sacasa, instigou o assassinato do líder rebelde liberal, Augusto César Sandino.

 

 

Anastasio(Tacho) Somoza

 

Em 1936, Anastasio Somoza ganhou as eleições presidenciais e, durante vinte anos, governou o país, diretamente ou por interpostas pessoas, com pulso de ferro até ser assassinado em 1956 pelo poeta Rigoberto López Pérez. Foi sucedido pelo filho, Luís Somoza Debayle (1957-1963). René Schick Gutiérrez (1963-1966), morto no exercício da presidência, foi sucedido por Lorenzo Guerrero Gutiérrez (1966-1967), a que se seguiu Anastasio (Tachito) Somoza Debayle (1967-19721974-1979), irmão mais novo de Luís e o último membro da família Somoza a assumir a presidência.

 

 

Anastasio(Tachito) Somoza

 

As aparências democráticas desapareceram em 1971, quando Somoza revogou a constituição e dissolveu a Assembleia Nacional. Aproveitando-se do terremoto que em 1972 arrasou Manágua, Somoza obteve do Congresso poderes ilimitados.

Durante quarenta anos a família Somoza manteve-se à frente de um regime ditatorial, sustentando os próprios interesses comerciais e aumentando a fortuna pessoal. Violentos protestos irromperam contra Somoza. Os oponentes pertenciam à Frente Sandinista de Libertação Nacional (FSLN), uma organização de guerrilha fundada em 1962 por Carlos Fonseca Amador e cujo nome homenageia Augusto Sandino, guerrilheiro executado em 1934. O grupo sandinista ganhou apoio crescente dos camponeses sem terra e engajou-se em numerosos embates com a Guarda Nacional (1976-1979).

 

 

 Bandeira da FSLN - Frente Sandinista de Libertação Nacional

 

Em janeiro de 1978, o líder oposicionista Pedro Joaquín Chamorro, diretor do mais importante jornal do país, La Prensa, foi assassinado. O presidente foi acusado de cumplicidade e o o conflito tomou proporções de guerra civil. Em 22 de agosto de 1978, sandinistas chefiados por Edén Pastora, o Comandante Zero, tomaram o Palácio Nacional, em Manágua, e mais de mil reféns. Somoza teve que atender às exigências dos guerrilheiros e, em 17 de julho de 1979, os rebeldes o forçam a renunciar. Asilou-se nos Estados Unidos e depois no Paraguai, onde foi assassinado em 1980. A guerra civil custou mais de trinta mil vidas e destroçou a economia do país. Assumiu o poder a Junta de Reconstrução Nacional provisória. 

 

Pedro Joaquín Chamorro

  

A Junta de Reconstrução Nacional revogou a Constituição, dissolveu o Congresso e substituiu a Guarda Nacional pelo Exército Popular Sandinista. Até que se elaborasse nova Carta, promulgou-se um Estatuto de Direitos e Garantias. Nacionalizou-se a indústria em grande parte e introduziu-se um sistema de planificação central. Os sandinistas expropriaram as terras de grandes latifundiários, que foram distribuídas entre os camponeses. Os Estados Unidos se opuseram a sua política esquerdista e começaram a apoiar um movimento guerrilheiro anti-sandinista, os "Contras". Enquanto os moderados protestavam contra o adiamento das eleições e passavam à oposição os "contras", cerca de dois mil antigos membros da Guarda Nacional, baseados em Honduras, desencadearam ataques guerrilheiros à Nicarágua. A eles aderiram os mosquitos, contrários às medidas para sua integração.

década de 1980 foi marcada por conflitos armados entre o governo sandinista e os Contras. O resultado foi uma maior radicalização do regime. Minas e florestas foram nacionalizadas e as relações com os EUA se deterioraram. Em 1981, os EUA interromperam a ajuda econômica e o governo sandinista foi acusado de receber apoio de Cuba e da União Soviética. Teve início uma nova guerra civil entre o governo sandinista e os Contras. A administração Reagan tentou conseguir apoio do Congresso para ajudar as forças exiladas dos Contras em Honduras e Miami, mas foi seriamente prejudicada pela divulgação, em 1986-1987, de desvio de dinheiro para os Contras exilados a partir da venda de armas norte-americanas para o Irã (Escândalo Irã-contras).

Em novembro de 1984 realizaram-se eleições presidenciais e para uma assembléia constituinte, com o boicote de boa parte da oposição. Eleito com mais de sessenta por cento dos votos, o líder da FSLN Daniel Ortega Saavedra assumiu a presidência em janeiro de 1985. A FSLN também obteve a maioria das cadeiras da Assembléia Constituinte. Os EUA decretaram embargo total à Nicarágua. Em janeiro de 1987, promulgou-se a nova Constituição. Segundo a constituição de 1987, a Nicarágua é uma república presidencialista unicameral, com uma assembléia nacional de 92 membros eleitos por voto direto para mandatos de seis anos. A Carta, que também consagra os princípios de pluralismo político e economia mista, também reconhece os direitos sócio-econômicos da população. Administrativamente, o país se divide em 16 departamentos. Prosseguiam, contudo, a luta dos "contras" e os atritos com os Estados Unidos, que os esforços do chamado Grupo de Contadora (MéxicoVenezuelaPanamá e Colômbia) não conseguiram extinguir. Em 1987 e 1988 firmaram-se em Esquipulas, na Guatemala, acordos para o desenvolvimento de um plano destinado a desarmar e repatriar os "contras" baseados em Honduras. Em 1988, governo e "contras" iniciaram negociações para um cessar-fogo. Quando o presidente Bush assumiu o cargo, em 1989, o financiamento militar direto aos Contras foi suspenso, o que levou ao desarmamento dos rebeldes.

 

 

Presidente Comandante Daniel Ortega

 

 

Em 1988, depois de libertar quase dois mil ex-membros da Guarda Nacional, Ortega assinou uma lei de reforma eleitoral que incluía a realização de eleições amplas e livres em 1990, e uma nova lei de imprensa que garantia maior participação dos oposicionistas nos meios de comunicação. Para supervisionar as eleições, criou-se o Supremo Conselho Eleitoral, com três membros sandinistas e dois da oposição. Em 1989 foi constituído o Supremo Conselho Eleitoral para preparação das eleições de 1990.

Nas eleições presidenciais realizadas em 1990, sob o controle da comunidade internacional, os grupos de oposição receberam um generoso financiamento norte-americano. Os sandinistas perderam para um grupo de coalizão anti-sandinista liderado por Violeta Barrios de Chamorro, da União Nacional Opositora (UNO), viúva do líder assassinado em 1978. A transição do poder foi pacífica e seguiram-se acordos de desarmamento e cessar-fogo, apesar da relutância de algumas facções.

 

 

 Presidente Violeta Chamorro

 

 

Ao assumir, Violeta Chamorro manteve Humberto Ortega no comando militar. Os contras depuseram as armas, mas voltaram a se armar no ano seguinte. Apesar de ter conseguido um empréstimo de U$ 300 milhões dos EUA, Chamorro não conteve uma grave recessão econômica, com o PIB caindo 5,5% e cerca de 1,5 milhão de desempregados. Seguiram-se vários protestos contra o aumento da inflação, do desemprego e da crise econômica generalizada. Graças a ajudas internacionais, a situação foi melhorando e, a partir de 1990, a Presidente Chamorro passou a governar a Nicarágua de uma forma conciliadora. Conseguiu uma estreita vitória contra a pressão direitista para a devolução das terras confiscadas pelos sandinistas aos seus donos originais. Em 1992, houve violentos combates entre os Contras equipados e os "recompas" sandinistas.

Nas eleições presidenciais de 1996Arnoldo Alemán saiu vencedor.

 

 

Presidente Arnoldo Alemán

 

 

Nas eleições presidenciais de 2001Enrique Bolaños Geyer saiu vencedor.

 

 

 Presidente Enrique Bolanõs

 

 

Em 2006, Daniel Ortega, líder sandinista, é reeleito para a Presidência da Nicarágua. A próxima eleição será em 2011.

 

 

Presidente Comandante Daniel Ortega

 

 

Em 2011, Daniel Ortega, líder sandinista, é reeleito para a Presidência da Nicarágua. A próxima eleição será em 2016.

 

 

Presidente Comandante Daniel Ortega


 

 

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